{"id":15600,"date":"2026-04-22T10:31:37","date_gmt":"2026-04-22T08:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.prif.org\/?p=15600"},"modified":"2026-04-22T10:31:40","modified_gmt":"2026-04-22T08:31:40","slug":"a-transicao-que-nao-acaba-quando-a-incerteza-se-torna-metodo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.prif.org\/en\/2026\/04\/22\/a-transicao-que-nao-acaba-quando-a-incerteza-se-torna-metodo\/","title":{"rendered":"A transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acaba: Quando a incerteza se torna m\u00e9todo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Quase cinco meses depois de um golpe de Estado ter interrompido o processo eleitoral na Guin\u00e9-Bissau, a viol\u00eancia pol\u00edtica e a repress\u00e3o contra civis e contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o social t\u00eam contribu\u00eddo para uma transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sem fim corroendo as perspetivas democr\u00e1ticas. Numa din\u00e2mica\u00a0 conversacional, reunimos as nossas perspetivas enquanto investigadora em paz e conflitos, jornalista e professor, e investigadora em estudos dos media. Considerando a recente morte de um ativista pol\u00edtico e as amea\u00e7as dirigidas a \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social como um retrato do momento atual, refletimos sobre um padr\u00e3o regional mais amplo no qual governos de transi\u00e7\u00e3o prolongam a sua perman\u00eancia no poder atrav\u00e9s do uso estrat\u00e9gico da viol\u00eancia pol\u00edtica e da incerteza.<\/strong><\/p>\n<p>A 31 de mar\u00e7o de 2026, o corpo de <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/guin%C3%A9-bissau-for%C3%A7as-de-seguran%C3%A7a-travam-marcha-contra-golpe\/a-75361741\">Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta<\/a>, um ativista pol\u00edtico do movimento P\u00f3 di Terra, foi <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/ativista-e-l%C3%ADder-do-movimento-po-di-terra-vig%C3%A1rio-lu%C3%ADs-balanta-assassinado-na-guin%C3%A9-bissau\/a-76617728\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">encontrado<\/a> nos arredores da capital da Guin\u00e9-Bissau, Bissau, com sinais de tortura. Nos dias seguintes, v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social em Bissau noticiaram a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/story.php?story_fbid=1462222799250394&amp;id=100063880630850&amp;mibextid=wwXIfr&amp;rdid=Wp2oXxU11O2f3KSR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">repress\u00e3o<\/a> estatal, incluindo ordens para encerrar as suas atividades. Na sequ\u00eancia do golpe de Estado que interrompeu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de novembro de 2025, estes novos epis\u00f3dios de viol\u00eancia pol\u00edtica e de <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1V5yZaMDugpt-jJfJTZpNNo5MOrcQkMAw\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">restri\u00e7\u00f5es<\/a> \u00e0s liberdades civis intensificam as <a href=\"https:\/\/sahel-intelligence.com\/42478-guinea-bissau-tensions-after-the-death-of-an-activist-and-crackdown-on-protests.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tens\u00f5es <\/a>sobre o futuro incerto do pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Contexto: elei\u00e7\u00e3o, golpe e rea\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Apesar de <a href=\"https:\/\/www.peaceau.org\/en\/article\/joint-statement-by-the-heads-of-the-african-union-election-observation-mission-ecowas-election-observation-mission-and-the-west-african-elders-forum-on-the-post-election-situation-in-the-republic-of-guinea-bissau\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dia eleitoral tranquilo<\/a> a 23 de novembro de 2025, as tens\u00f5es aumentaram enquanto o pa\u00eds aguardava que a Comiss\u00e3o Nacional de Elei\u00e7\u00f5es (CNE) anunciasse os resultados. Entretanto, ind\u00edcios preliminares, como relat\u00f3rios eleitorais regionais, sugeriam que a oposi\u00e7\u00e3o tinha ganho as elei\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, os <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/guin%C3%A9-bissau-embal%C3%B3-garante-que-n%C3%A3o-haver%C3%A1-segunda-volta\/a-74872654?fbclid=IwZnRzaAOSrU5leHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZAo2NjI4NTY4Mzc5AAEe3WU8gcTJSsEvDwaeUINVomr1eASvDIm8gQdR30XWQ2tNPki5Nr82WPA-Omo_aem_sNosJxKaqas8pFk3yp4q6g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dois <\/a>principais candidatos declararam publicamente vit\u00f3ria. At\u00e9 hoje, contudo, a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/story.php?story_fbid=122251872824188344&amp;id=61555650337317&amp;mibextid=wwXIfr&amp;rdid=KkTX00kfDjf7oifP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CNE <\/a>ainda n\u00e3o anunciou os resultados eleitorais.<\/p>\n<p>A 26 de novembro de 2025, um dia antes do an\u00fancio esperado, foram registados <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/posts\/sophia-birchinger-9b7569135_guineabissau-coup-elections-activity-7400143215862915072-1hm2?utm_source=share&amp;utm_medium=member_desktop&amp;rcm=ACoAACECNFsBK8tyC4pqDK7KSfGNC0T1IHk4Ynw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tiros <\/a>no pal\u00e1cio presidencial e na CNE. Esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o foram encerradas, foi imposto um recolher obrigat\u00f3rio e as fronteiras foram fechadas. Soldados apareceram na televis\u00e3o declarando que oficiais de alta patente do c\u00edrculo pr\u00f3ximo do ex-presidente Embal\u00f3 tinham tomado o poder. Anularam as elei\u00e7\u00f5es, anunciaram um governo de transi\u00e7\u00e3o de um ano e formaram um conselho de transi\u00e7\u00e3o de 65 membros que, entre outras a\u00e7\u00f5es, se acredita que tenha alterado a Constitui\u00e7\u00e3o sem autoridade.<\/p>\n<p>A narrativa oficial apresentada pelo presidente deposto Embal\u00f3 sobre um golpe militar (\u00ab<a href=\"https:\/\/lnkd.in\/e8cFuB2D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Golpe de Estado Militar<\/a>\u00bb) e pelo novo governo de transi\u00e7\u00e3o sobre uma miss\u00e3o de resgate para salvar o pa\u00eds de uma conspira\u00e7\u00e3o desestabilizadora foi recebida com s\u00e9rias <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/posts\/sophia-birchinger-9b7569135_guineabissau-coup-coup-activity-7401177500229324800-B59r?utm_source=share&amp;utm_medium=member_desktop&amp;rcm=ACoAACECNFsBK8tyC4pqDK7KSfGNC0T1IHk4Ynw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">d\u00favidas<\/a>.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.ecowas.int\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Final-Communique-on-Guinea-Bissau_ENG_251127_220518.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comunidade Econ\u00f3mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental<\/a> (CEDEAO), a <a href=\"https:\/\/www.peaceau.org\/uploads\/1315.comm-en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uni\u00e3o Africana<\/a> (UA) e as <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2025\/11\/1166467\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a> (ONU) adotaram inicialmente uma posi\u00e7\u00e3o clara: classificaram a situa\u00e7\u00e3o como um <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/posts\/sophia-birchinger-9b7569135_guineabissau-coup-activity-7400150109285535744-1fd6?utm_source=share&amp;utm_medium=member_desktop&amp;rcm=ACoAACECNFsBK8tyC4pqDK7KSfGNC0T1IHk4Ynw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">golpe de Estado<\/a>, suspenderam o pa\u00eds e iniciaram uma miss\u00e3o conjunta de media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tanto dentro como fora da Guin\u00e9-Bissau, circulam v\u00e1rias <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/posts\/sophia-birchinger-9b7569135_guineabissau-coup-coup-activity-7401177500229324800-B59r?utm_source=share&amp;utm_medium=member_desktop&amp;rcm=ACoAACECNFsBK8tyC4pqDK7KSfGNC0T1IHk4Ynw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">interpreta\u00e7\u00f5es <\/a>sobre o que aconteceu. Na Guin\u00e9-Bissau, Fernando Dias da Costa, o candidato da oposi\u00e7\u00e3o amplamente considerado vencedor das elei\u00e7\u00f5es, chamou ao golpe \u00ab<a href=\"https:\/\/p.dw.com\/p\/54NrY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inventado<\/a>\u00bb; o ativista e jornalista Armando Lona descreveu-o como um \u00ab<a href=\"https:\/\/p.dw.com\/p\/54KH2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">golpe falso<\/a>\u00bb; enquanto uma manchete do Novo Jornal questionava: \u00ab<a href=\"https:\/\/p.dw.com\/p\/54R5N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">intentona ou inventona?\u00bb.<\/a> Fora do pa\u00eds, o ex-presidente nigeriano e observador eleitoral nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2025, Goodluck Jonathan, utilizou o termo \u00ab<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?si=1ssGx5rbAGoNYPET&amp;v=uMKtGA4tli0&amp;feature=youtu.be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ceremonial coup<\/a>\u201c\u00bb (<em>golpe cerimonial<\/em>), enquanto o primeiro-ministro senegal\u00eas Ousmane Sonko o apelidou de \u00ab<a href=\"https:\/\/lnkd.in\/eTR4j2aM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">encena\u00e7\u00e3o<\/a>\u00bb e de \u00ab<a href=\"https:\/\/p.dw.com\/p\/54Mhr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">compl\u00f4<\/a>\u00bb (<em>conspira\u00e7\u00e3o<\/em>). Num enquadramento mais amplo da hist\u00f3ria e do contexto da Guin\u00e9-Bissau, os cr\u00edticos falam de um \u00ab<a href=\"https:\/\/aje.io\/f0ph8m\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">slow coup<\/a>\u00bb (<em>golpe lento<\/em>), argumentando que, nos \u00faltimos seis anos, o agora deposto Embal\u00f3 consolidou o poder ao reformular as institui\u00e7\u00f5es, construiu um ecossistema leal \u00e0 sua volta e prolongou o seu mandato presidencial para al\u00e9m do previsto.<\/p>\n<p>Grande parte do debate online e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 altamente <a href=\"https:\/\/p.dw.com\/p\/54SL4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">especulativo<\/a>. Em condi\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o e incerteza, tanto os especialistas como as pessoas comuns t\u00eam dificuldade em compreender o que lhes est\u00e1 a acontecer. No entanto, \u00e9 tamb\u00e9m importante notar que algumas narrativas s\u00e3o pol\u00edticas e cuidadosamente fabricadas. No meio de tudo isto, por\u00e9m, est\u00e1 o facto certo de que o golpe interrompeu o processo eleitoral e impediu o an\u00fancio dos resultados eleitorais, resultando na transi\u00e7\u00e3o em curso.<\/p>\n<p>Nas conversas nas ruas e nos espa\u00e7os online, encontramos <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/posts\/sophia-birchinger-9b7569135_guineabissau-coup-avertingplot-activity-7400144521180762112-Uy9R?utm_source=share&amp;utm_medium=member_desktop&amp;rcm=ACoAACECNFsBK8tyC4pqDK7KSfGNC0T1IHk4Ynw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quatro<\/a> narrativas principais:<\/p>\n<p><strong>#DesmantelarDesestabiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> Em declara\u00e7\u00f5es oficiais, os l\u00edderes do golpe \u2014 agora o governo de transi\u00e7\u00e3o \u2014 afirmam ter descoberto uma conspira\u00e7\u00e3o por parte de pol\u00edticos e bar\u00f5es da droga para desestabilizar o pa\u00eds. Rejeitam o r\u00f3tulo de \u00abgolpe\u00bb, apresentando as suas a\u00e7\u00f5es como uma medida de salvaguarda do Estado.<\/p>\n<p><strong>#GolpeFalso.<\/strong> As organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e os pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o manifestam d\u00favidas e acusam o presidente deposto Embal\u00f3 de ter orquestrado o golpe para evitar a derrota, garantir uma sa\u00edda do pa\u00eds que lhe permitisse salvar a face e, potencialmente, abrir caminho para a reelei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>#V\u00edtimaEmmbal\u00f3.<\/strong> Esta narrativa \u00e9 defendida pelo presidente deposto Embal\u00f3 e pelos seus apoiantes, em resposta \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de ter orquestrado este golpe de Estado, apresentando-o como a v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>#NadaDeNovo.<\/strong> Para al\u00e9m destas interpreta\u00e7\u00f5es divergentes, existe tamb\u00e9m uma resigna\u00e7\u00e3o generalizada entre os bissau-guineenses. A turbul\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 novidade e, por isso, muitos cidad\u00e3os esperam que passe. Apenas alguns dias at\u00e9 que a normalidade regresse, os mercados reabram e o ritmo quotidiano retome o seu curso.<\/p>\n<p>Narrativas como estas n\u00e3o surgem do nada. Desde a independ\u00eancia, a Guin\u00e9-Bissau tem vivido repetidos golpes de Estado e repress\u00e3o das liberdades civis e de imprensa. Estas mem\u00f3rias de experi\u00eancias passadas moldam a forma como os cidad\u00e3os interpretam os acontecimentos atuais. Como \u00e9 que, ent\u00e3o, os desenvolvimentos atuais se enquadram na <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/00141840801927509\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">experi\u00eancia cr\u00f3nica de crise<\/a> do pa\u00eds?<\/p>\n<figure id=\"attachment_15593\" aria-describedby=\"caption-attachment-15593\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15593 size-large\" src=\"https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1-1024x768.jpeg\" alt=\"Cena de vota\u00e7\u00e3o: uma mesa com membros da mesa de voto e boletins de voto. Duas mulheres e um homem est\u00e3o a depositar os seus votos nos boletins.\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1-1320x990.jpeg 1320w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.25.35-1.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15593\" class=\"wp-caption-text\">Dia das elei\u00e7\u00f5es na Guin\u00e9-Bissau. 23 de novembro de 2025. | Foto: \u00a9 Jasmina Barckhausen.<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Dois sinais, a mesma doen\u00e7a<\/h2>\n<p>As transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas devem avan\u00e7ar do ponto A ao ponto B, mesmo com desvios. A transi\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau parece ter estagnado a meio caminho e instalado acampamento. Sem um plano claro, cada nova crise \u00e9 usada para justificar a indecis\u00e3o anterior: \u00abn\u00e3o podemos fazer X por causa de Y\u00bb; \u00abn\u00e3o podemos resolver Y at\u00e9 que Z se acalme\u00bb. Desta forma, cada acontecimento desafiante torna-se uma desculpa para a in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>Uma transi\u00e7\u00e3o sem fim normaliza a exce\u00e7\u00e3o. O que era tempor\u00e1rio torna-se permanente. A emerg\u00eancia torna-se rotina. Nestas circunst\u00e2ncias, acontecimentos como a viol\u00eancia policial contra estudantes deixam de ser esc\u00e2ndalos, tornando-se \u00abprocedimento\u00bb, e o encerramento for\u00e7ado de uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio deixa de ser censura, tornando-se \u00abregula\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia e silenciamento<\/h2>\n<p>Pr\u00e1ticas repressivas, como a repress\u00e3o das liberdades civis e da vida quotidiana, caracterizam a transi\u00e7\u00e3o em curso na Guin\u00e9-Bissau. Dois exemplos recentes destacam-se.<\/p>\n<p>O primeiro diz respeito \u00e0 viol\u00eancia contra os cidad\u00e3os: Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta morreu na sequ\u00eancia de uma deten\u00e7\u00e3o que, segundo familiares e testemunhas, envolveu agress\u00f5es f\u00edsicas. A vers\u00e3o oficial da sua morte continua a n\u00e3o ser convincente e a aut\u00f3psia independente solicitada pela sociedade civil ainda n\u00e3o foi agendada. Por outras palavras, embora os nomes possam mudar, o enredo mant\u00e9m-se o mesmo: um jovem, um bairro da classe trabalhadora, viol\u00eancia policial, sil\u00eancio institucional. Uma semana ap\u00f3s a morte de Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta, dois protestos em Bissau foram dispersos com g\u00e1s lacrimog\u00e9neo e \u00e0 bastonada. Um deles foi organizado por estudantes que exigiam bolsas de estudo em atraso. O outro, por vendedores do Mercado de Bandim, em protesto contra novos impostos municipais. Em comum, tinham\u00a0 reivindica\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas e uma resposta desproporcionada do Estado. No entanto, quando o uniforme \u00e9 usado para silenciar, a democracia sofre.<\/p>\n<p>No contexto p\u00f3s-eleitoral, a viol\u00eancia policial tornou-se uma linguagem habitual da pol\u00edtica. Ela ensina que a dissid\u00eancia tem um custo, que o espa\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente p\u00fablico. Isto beneficia aqueles que lucram com a transi\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel, porque sem protestos, sem uma imprensa livre, sem press\u00e3o social, n\u00e3o h\u00e1 urg\u00eancia em concluir seja o que for.<\/p>\n<p>O segundo exemplo diz respeito \u00e0 repress\u00e3o contra esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio: pouco depois da morte de Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta, a renomada esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio cat\u00f3lica R\u00e1dio Sol Mansi informou que um inc\u00eandio misterioso interrompeu o seu fornecimento de eletricidade. V\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o em Bissau <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/share\/1CNCNavSmx\/?mibextid=wwXIfr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relataram <\/a>ter recebido ordens de encerramento devido a quest\u00f5es relacionadas com \u00abtaxas de licenciamento\u00bb, incluindo a primeira esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio privada do pa\u00eds, a R\u00e1dio Galaxia de Pindjiguiti, e a esta\u00e7\u00e3o privada Radio Capital FM\/Capital News. Esta \u00faltima, em particular, tem sido <a href=\"https:\/\/cpj.org\/2022\/02\/armed-men-again-raid-guinea-bissau-broadcaster-radio-capital-fm-destroy-equipment\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">repetidamente visada<\/a> devido \u00e0 sua postura cr\u00edtica nos \u00faltimos anos. Para justificar os encerramentos, o Minist\u00e9rio da Comunica\u00e7\u00e3o invocou uma \u00abfalta de documenta\u00e7\u00e3o\u00bb e \u00abconte\u00fados que amea\u00e7am a ordem p\u00fablica\u00bb.<\/p>\n<p>Encerrar r\u00e1dios na Guin\u00e9-Bissau significa fechar o espa\u00e7o p\u00fablico. Num pa\u00eds onde os jornais impressos circulam pouco e a internet \u00e9 pouco fi\u00e1vel, a r\u00e1dio \u00e9 o parlamento, a escola e o tribunal do povo. Silenciar a r\u00e1dio \u00e9 decretar que apenas uma vers\u00e3o dos factos pode existir. Refletindo sobre a coincid\u00eancia entre o encerramento das r\u00e1dios e as falhas na rede de telem\u00f3veis, um representante de uma organiza\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o da paz sugeriu-nos que por tr\u00e1s de ambos os acontecimentos poder\u00e1 estar o desejo de atrasar e controlar as rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico \u00e0 morte de Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta.<\/p>\n<p>Embora as r\u00e1dios afetadas continuem a operar, a rea\u00e7\u00e3o reflete um padr\u00e3o recorrente: em per\u00edodos politicamente tensos, as autoridades bissau-guineenses t\u00eam frequentemente restringido os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a liberdade de express\u00e3o. Os per\u00edodos eleitorais s\u00e3o particularmente <a href=\"https:\/\/www.iese.ac.mz\/lib\/publication\/proelit\/Marie_Frere.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reveladores<\/a>. Antes das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2025, a repress\u00e3o contra aos meios de comunica\u00e7\u00e3o aumentou e jornalistas internacionais foram <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/en\/guinea-bissau-cracks-down-on-foreign-media-as-elections-near\/a-73766388\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">expulsos <\/a>do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No entanto, as amea\u00e7as contra as r\u00e1dios n\u00e3o s\u00e3o apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica relacionada com as licen\u00e7as. S\u00e3o um teste ao poder do governo de transi\u00e7\u00e3o. Se forem bem-sucedidas, amanh\u00e3 ser\u00e1 um jornal. Depois, um site. Em seguida, uma publica\u00e7\u00e3o no Facebook \u2014 ou\u00a0 centenas delas. O alvo n\u00e3o \u00e9 a frequ\u00eancia FM, mas a pr\u00f3pria possibilidade de existirem narrativas para al\u00e9m da oficial.<\/p>\n<h2>Equ\u00eancias para a esfera p\u00fablica<\/h2>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/c1m8nm22785o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">golpe <\/a>e o governo de transi\u00e7\u00e3o agravaram ainda mais as condi\u00e7\u00f5es da comunica\u00e7\u00e3o social e as liberdades civis. Domingos Sim\u00f5es Pereira, l\u00edder do partido da independ\u00eancia PAIGC e antigo primeiro-ministro <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/30\/mundo\/noticia\/guinebissau-domingos-simoes-pereira-ja-libertado-prisao-2163146\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">impedido de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es<\/a>, foi preso ap\u00f3s o golpe, posteriormente libertado, mas colocado em pris\u00e3o domicili\u00e1ria. Os partidos pol\u00edticos enfrentam restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de reuni\u00e3o, o PAIGC foi repetidamente <a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/noticias\/mundo\/guine-bissau-paigc-exige-restituicao-da-sede-nacional_n1701572\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">impedido <\/a>de entrar na sua sede e as manifesta\u00e7\u00f5es foram <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/guin%C3%A9-bissau-for%C3%A7as-de-seguran%C3%A7a-travam-marcha-contra-golpe\/a-75361741\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">proibidas <\/a>ou reprimidas com viol\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"su-box su-box-style-default\" id=\"\" style=\"border-color:#60a29f;border-radius:3px;\"><div class=\"su-box-title\" style=\"background-color:#93d5d2;color:#ffffff;border-top-left-radius:1px;border-top-right-radius:1px\">INFOBOX<\/div><div class=\"su-box-content su-u-clearfix su-u-trim\" style=\"border-bottom-left-radius:1px;border-bottom-right-radius:1px\">Isto d\u00e1\u00a0 continuidade a uma tend\u00eancia que j\u00e1 caracterizou o governo do ex-presidente Embal\u00f3 (2020-2025): a organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos, Liga Guineense dos Direitos Humanos, alerta que o per\u00edodo desde 2020 registou o maior n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es de direitos desde a introdu\u00e7\u00e3o do sistema multipartid\u00e1rio na Guin\u00e9-Bissau, em 1994 \u00a0(Tur\u00e9 et al., 2023). Tanto os Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras (RSF) como a Freedom House assinalam um retrocesso nas liberdades da comunica\u00e7\u00e3o social e civis desde 2024. Atualmente, a Guin\u00e9-Bissau ocupa o 110.\u00ba lugar entre 180 pa\u00edses no <a href=\"https:\/\/rsf.org\/en\/country\/guinea-bissau\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00cdndice Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF<\/a>. Reportar sobre crime organizado ou criticar autoridades pol\u00edticas est\u00e1 entre os temas mais perigosos para jornalistas. Em compara\u00e7\u00e3o global, o pa\u00eds registou o <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/03\/19\/guine-bissau-e-o-pais-com-maior-quebra-no-indice-de-liberdade-da-freedom-house\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maior retrocesso<\/a> em liberdades entre 2024 e 2025. A liberdade \u00e9 especialmente restringida em processos eleitorais, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, transpar\u00eancia governamental, direito de reuni\u00e3o, processos judiciais e liberdades individuais. Na categoria \u00abcomunica\u00e7\u00e3o social \u00a0livre e independente\u00bb, a Guin\u00e9-Bissau recebe apenas 1 de 4 pontos poss\u00edveis. Nos \u00faltimos anos, as restri\u00e7\u00f5es inclu\u00edram <a href=\"https:\/\/mfwa.org\/country-highlights\/guinea-bissau-media-repression-and-the-fight-for-press-freedom\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">amea\u00e7as e ataques<\/a> contra reda\u00e7\u00f5es e jornalistas, <a href=\"https:\/\/mfwa.org\/issues-in-focus\/guinea-bissau-journalist-expelled-from-public-event-on-presidents-orders\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bloqueio <\/a>de acesso a confer\u00eancias de imprensa oficiais, tentativas de <a href=\"https:\/\/cpj.org\/2026\/01\/journalists-at-risk-as-guinea-bissau-junta-bans-unauthorized-press-conferences\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">censura <\/a>e <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2025\/11\/1166467#:~:text=The%20coup%20has%20also%20raised%20concerns%20about:,suspended%20Guinea%2DBissau%20from%20all%20its%20decision%2Dmaking%20bodies.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cortes tempor\u00e1rios da internet.<\/a><\/div><\/div>\n<p>Durante uma transi\u00e7\u00e3o, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais vital, pois ajuda a esclarecer se o processo \u00e9 transparente, se os prazos s\u00e3o cumpridos e se os compromissos s\u00e3o genu\u00ednos. Quando o governo de transi\u00e7\u00e3o tenta restringir as r\u00e1dios, est\u00e1 claramente a preferir percorrer o caminho na escurid\u00e3o, sem testemunhas \u2014 mas uma transi\u00e7\u00e3o sem testemunhas torna-se um t\u00fanel sem sa\u00edda. A morte de Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta, os bast\u00f5es nas ruas, os microfones desligados: tudo aponta para a impunidade de quem ataca, de quem ordena ataques e de quem decide que certas vozes n\u00e3o podem falar. Como encerrar o ciclo p\u00f3s-eleitoral significa prestar contas, a impunidade \u00e9 a for\u00e7a vital das transi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se destinam a terminar. E, enquanto a transi\u00e7\u00e3o durar, qualquer acerto de contas ou responsabiliza\u00e7\u00e3o pode ser adiado indefinidamente.<\/p>\n<h2>O que se segue numa transi\u00e7\u00e3o sem fim?<\/h2>\n<p>Embora muitas quest\u00f5es permane\u00e7am por responder, esta n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria de golpes militares, mas tamb\u00e9m da configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Guin\u00e9-Bissau, do funcionamento das suas institui\u00e7\u00f5es e da sua longa hist\u00f3ria de lutas pelo poder. Reflete um padr\u00e3o regional mais amplo no qual os governos de transi\u00e7\u00e3o prolongam a sua perman\u00eancia no poder, recorrendo estrategicamente \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica e \u00e0 incerteza para manipular as expectativas do p\u00fablico.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo nacional est\u00e1 fora da agenda do governo e a sociedade civil fragmentou-se devido a processos de coopta\u00e7\u00e3o. Ainda assim, iniciativas como a \u00ab<a href=\"https:\/\/kumpuduris.com\/pilares\/bantaba-di-paz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bantaba di Paz<\/a>\u00bb, organizadas pelas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil Voz di Paz, WANEP e F\u00f3rum de Paz, s\u00e3o uma forma de continuar a conversa sobre o futuro da Guin\u00e9-Bissau. Apesar das restri\u00e7\u00f5es, os meios de comunica\u00e7\u00e3o continuam a ser um importante farol de esperan\u00e7a, recebendo cada vez mais apoio de atores internacionais.<\/p>\n<p>Para a Guin\u00e9-Bissau, ainda h\u00e1 uma oportunidade de escolher outro caminho: um em que as mortes sejam investigadas, a pol\u00edcia proteja, a r\u00e1dio informe e a transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica chegue ao fim. Mas o tempo n\u00e3o \u00e9 infinito, nem a paci\u00eancia do povo. Os guineenses vivem h\u00e1 meses numa esp\u00e9cie de limbo pol\u00edtico. Por cada Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta que morre sem respostas, por cada esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio que se cala, por cada manifestante espancado, o pa\u00eds aproxima-se de um ponto em que a transi\u00e7\u00e3o se torna rutura. A democracia adiada, tal como a justi\u00e7a adiada, \u00e9 democracia negada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15595\" aria-describedby=\"caption-attachment-15595\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-15595\" src=\"https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1-1024x768.jpeg\" alt=\"Vista de costas de uma multid\u00e3o. As pessoas fazem um gesto em que cruzam os antebra\u00e7os e fecham as m\u00e3os em punhos\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1-1320x990.jpeg 1320w, https:\/\/blog.prif.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WhatsApp-Image-2026-04-10-at-23.28.44-1.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15595\" class=\"wp-caption-text\">Em luto pela morte de Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta, Bissau, Guin\u00e9-Bissau. | Foto: \u00a9 Jasmina Barckhausen.<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Conclus\u00f5es<\/h2>\n<p>Para concluir a transi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 v\u00e1rias medidas que requerem a aten\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas da Guin\u00e9-Bissau, das redes da sociedade civil a n\u00edvel nacional, regional e internacional, dos parceiros internacionais e das organiza\u00e7\u00f5es internacionais:<\/p>\n<p>Primeiro, rejeitar a normaliza\u00e7\u00e3o. A morte de Vig\u00e1rio Lu\u00eds Balanta n\u00e3o \u00e9 \u00abapenas mais um caso\u00bb. Ele \u00e9 um cidad\u00e3o com nome, fam\u00edlia e direitos. Exigir uma investiga\u00e7\u00e3o independente, com participa\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados e da Liga dos Direitos Humanos, n\u00e3o se trata de oposi\u00e7\u00e3o, mas sim de defender o estado de direito.<\/p>\n<p>Segundo, devolver a pol\u00edcia ao seu papel adequado. O uso da for\u00e7a tem regras; dispersar uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica com viol\u00eancia \u00e9 ilegal. O Minist\u00e9rio do Interior deve publicar protocolos operacionais e responsabilizar os comandantes que os violam.<\/p>\n<p>Terceiro, retirar as r\u00e1dios da lista de alvos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de licenciamento, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer prazos e dar apoio \u00e0 sua regulariza\u00e7\u00e3o. A democracia n\u00e3o se constr\u00f3i em sil\u00eancio. Um governo de transi\u00e7\u00e3o que teme o microfone aberto j\u00e1 admitiu algo: pretende permanecer.<\/p>\n<p>Quarto, exigir um calend\u00e1rio. As for\u00e7as pol\u00edticas, a ONU, a UA, a CEDEAO, os PALOP e a sociedade civil devem colocar sobre a mesa um calend\u00e1rio p\u00fablico: quando o or\u00e7amento ser\u00e1 finalizado, como ser\u00e1 assegurada a independ\u00eancia da Comiss\u00e3o Nacional de Elei\u00e7\u00f5es (CNE) e do Supremo Tribunal. Isto requer o <a href=\"https:\/\/www.peaceau.org\/uploads\/1333.comm-en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">refor\u00e7o<\/a> dos esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos no di\u00e1logo com o governo de transi\u00e7\u00e3o. Sem um calend\u00e1rio e sem <a href=\"https:\/\/amaniafrica-et.org\/update-on-the-situation-in-guinea-bissau\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esfor\u00e7os renovados<\/a>, tudo o que aconteceu recentemente voltar\u00e1 a acontecer na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase cinco meses depois de um golpe de Estado ter interrompido o processo eleitoral na Guin\u00e9-Bissau, a viol\u00eancia pol\u00edtica e a repress\u00e3o contra civis e contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o social t\u00eam contribu\u00eddo para uma transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sem fim corroendo as perspetivas democr\u00e1ticas. Numa din\u00e2mica  conversacional, reunimos as nossas perspetivas enquanto investigadora em paz e conflitos, jornalista e professor, e investigadora em estudos dos media. Considerando a recente morte de um ativista pol\u00edtico e as amea\u00e7as dirigidas a \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social como um retrato do momento atual, refletimos sobre um padr\u00e3o regional mais amplo no qual governos de transi\u00e7\u00e3o prolongam a sua perman\u00eancia no poder atrav\u00e9s do uso estrat\u00e9gico da viol\u00eancia pol\u00edtica e da incerteza.<\/p>\n","protected":false},"author":238,"featured_media":15598,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1446],"tags":[1531,1197,1529],"coauthors":[779,1526,1527],"class_list":["post-15600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugues-en","tag-guinea-bissau-en","tag-political-violence","tag-repression-en"],"acf":[],"views":7,"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acaba: Quando a incerteza se torna m\u00e9todo - PRIF BLOG<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blog.prif.org\/en\/2026\/04\/22\/a-transicao-que-nao-acaba-quando-a-incerteza-se-torna-metodo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acaba: Quando a incerteza se torna m\u00e9todo - PRIF BLOG\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Quase cinco meses depois de um golpe de Estado ter interrompido o processo eleitoral na Guin\u00e9-Bissau, a viol\u00eancia pol\u00edtica e a repress\u00e3o contra civis e contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o social t\u00eam contribu\u00eddo para uma transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sem fim corroendo as perspetivas democr\u00e1ticas. 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